e mobilizar para 16 de Fevereiro
«Reforma do Estado»<br>dá mais razões para lutar
Dez ministros e cinco secretários de Estado participaram na elaboração do relatório que foi divulgado como sendo do FMI e que aponta mais um «pacote de sacrifícios». Para romper a espiral recessiva, a CGTP-IN renovou o apelo à luta dos trabalhadores e da generalidade da população atingida pelas exigências da troika e pela política de direita.
O relatório mostra que mais austeridade degrada as contas públicas
Algumas das intenções anunciadas no documento, revelado dia 9, têm os trabalhadores da Administração Pública como alvo privilegiado (casos do despedimento de professores e de trabalhadores colocados no quadro de excedentários), mas, de facto abrangem a generalidade dos trabalhadores e dos pensionistas, começa por precisar a Intersindical, no comunicado que divulgou ainda naquela quarta-feira. Do «pacote», a central destaca:
- redução das pensões,
- mais despedimentos no sector público e no sector privado,
- agravamento das taxas moderadoras e mais limites no acesso aos serviços de saúde,
- novo aumento das propinas;
- nova redução dos subsídios de desemprego,
- subida da idade da reforma.
Indiferença
sem limites
Nas intenções expressas no relatório, a Inter vê «indiferença social, perante as suas implicações sociais num povo já fustigado». Mas também conclui que, «para o Governo do PSD/CDS e a troika, não há limites, porque se sentem impunes».
Para a CGTP-IN, «estamos perante intenções de puro terrorismo social» e «de nada vale dizer que se trata meramente de um relatório do FMI, porque participaram na sua elaboração o Banco Mundial, a Comissão Europeia e, mais grave ainda, dez ministros e cinco secretários de Estado».
O documento é classificado como uma «nova chantagem», que revela «o falhanço completo de uma política onde mais austeridade significa a deterioração das contas públicas». Dos dados da execução orçamental, de Janeiro a Novembro, decorre que «a receita fiscal e as contribuições para a Segurança Social deverão cair de cinco por cento, em 2012». Portanto, «com mais medidas de austeridade, maior será a queda nos impostos, a degradação das contas públicas e o enfraquecimento da actividade económica», o que coloca Portugal «num processo de espiral recessiva que generaliza o empobrecimento, fragiliza a democracia e põe em causa a soberania do País».
Além do efeito devastador desta política sobre a economia, a Inter realça o elevado desemprego, lembrando que a maioria dos desempregados não usufrui de quaisquer apoios públicos. Ora, «depois de todos os cortes efectuados e previstos», nomeadamente no OE para 2013, «é chocante vermos responsáveis da troika a considerarem como excessiva uma prestação de desemprego que teve, entre Fevereiro e Outubro de 2012, um valor médio de 502 euros por beneficiário».
A CGTP-IN salienta que «os efeitos da austeridade não se espelham apenas no desemprego porque muitos activos, empregados e desempregados, nomeadamente jovens altamente qualificados, estão a deixar o País». Com base em dados do Eurostat, chama-se a atenção para «uma quebra impressionante do nível de emprego» desde 2008, muito superior em Portugal à média da Zona Euro.
As funções sociais do Estado estão igualmente a ser postas em causa pela política de austeridade e, com novos cortes e novas reduções de pessoal na Administração Pública, elas «serão mais enfraquecidas, dirigir-se-ão cada vez mais à população mais pobre e a qualidade dos serviços públicos para todos os cidadãos será enfraquecida».
Dever nacional
Entende a CGTP-IN que é «dever nacional romper com esta política, que está a pôr em causa direitos, liberdades e garantias constitucionais». A central afirma que «o memorando da troika e a política de direita são os problemas que impedem as soluções para o desenvolvimento económico e social do País» e «a única forma de quebrar a espiral recessiva é pôr fim a esta política de austeridade e assegurar uma política de crescimento e criação de emprego, o que exige a reestruturação da dívida e a diminuição do sufocante peso dos juros».
Com estes argumentos, a Inter foca o apelo ao envolvimento dos trabalhadores e da população, em geral, na participação em duas grandes iniciativas que o movimento sindical unitário tem em marcha:
- a petição «Pela defesa das funções sociais do Estado», que pode ser subscrita também no sítio da central na Internet,
- e a presença nas acções que, em todos os distritos do Continente e nas regiões autónomas, vão dar corpo à jornada nacional de 16 de Fevereiro.